Entrevista com Kelvin Fernandes
- Thalyta Venâncio de Araújo
- 15 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de mai. de 2021
"Não adianta a melhor técnica, melhor tecnologia, protocolos fantásticos, se não tem boas pessoas que usam esse conhecimento de forma correta"

Zootecnista, formado na UFG (Universidade Federal de Goiás), Kelvin Fernandes
Carvalho trabalha atualmente como gestor na fazenda Vale da Pedra, situada na cidade
de Jataí-Go, onde tem-se uma produção diária de 10.300 litros de leite por dia, uma
média de 28,45 litros por vaca/dia.
Kelvin cita que sua família sempre trabalhou com atividade leiteira, mas de modo bem
popular e com conhecimentos empíricos, e quando entrou na graduação seu objetivo era
aumentar seu conhecimento na área para poder perpetuar o seu aprendizado com seus
familiares.
Segundo o profissional, o setor leiteiro é uma área bastante promissora, mas, cada vez
mais exigente por conta do consumidor final. Na sua opinião as propriedades precisam
se reinventar para que haja lucros, pois precisam lidar com gastos e investimentos
tecnológicos necessários, fator essencial para tornar a propriedade capacitada para
competir no mercado.
Em relação a profissão de zootecnista, o gerente não vê, atualmente, grandes
comparações com profissões adversas e, todo e qualquer tipo de preconceito relacionado
a isso se anula quando é mostrado os resultados de um zootecnista na fazenda. Para ele,
os pontos primordiais em uma propriedade se devem as pessoas que lá trabalham,
convívio e caráter pois: "não adianta a melhor técnica, melhor tecnologia, protocolos
fantásticos, se não tem boas pessoas que usem esse conhecimento de forma correta"cita
o profissional.
Na fazenda são realizadas várias ações de sustentabilidade, bem como captação e
utilização da água das chuvas para limpeza das estruturas. Os dejetos dos animais são
separados em parte de forma líquida para ser bombeado para a agricultura na forma de
fertirrigação. Os componentes sólidos são coletados e trabalhados no campo de
compostagem, enriquecendo-os com fonte de minerais para que sua utilização final seja
a adubação orgânica, reduzindo assim, a necessidade de adubação química.
Uma das maiores dificuldades na sua percepção é manter uma equipe sólida e coesa
para realização correta das atividades e também enfrentar desafios na aquisição de
produtos para alimentação animal, pois, segundo ele, há escassez sazonal dos produtos
no mercado, e como muitas propriedades não conseguem fazer um estoque, há um
aumento no preço dos insumos, aumentando assim o custo da produção, o que
consequentemente aumenta o preço do produto final (leite).
Por fim, o conselho que Kelvin deixa para os jovens que estão iniciando carreira na
bovinocultura leiteira é: "acorde cedo, arregasse as mangas e trabalhe duro, não
condicione o seu sucesso a nada e nem a ninguém, não tenha medo de cair, encare os
tropeços como aprendizado, se erga novamente e trabalhe mais duro ainda. O resultado
é consequência do que fazemos dia após dia."
Comments