Boi Bombeiro
- Danilo Marques de Sousa Santos
- 2 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de dez. de 2020
Pecuária de precisão inibe a necessidade da utilização dessa expressão
“Boi bombeiro” foi uma expressão utilizada pela ministra da agricultura, pecuária e abastecimento Tereza Cristina, para referir-se a importância do boi para evitar a expansão de incêndios na região do pantanal.
Inicialmente essa fala parece ser bem convincente, porém, após reflexão percebi que não faz sentido o que ela disse, pois seu argumento é aumentar o número de animais na região para a proporção de incêndios diminuir mas eu pergunto, o animal vai comer toda a matéria orgânica que tem nas áreas de pastagens? Eu particularmente nunca vi boi comer colmo (talo) ou folhas de capim mortas, ainda mais referindo-se a pecuária extensiva, onde não existe um manejo de pastagem adequado, sempre trabalhando no máximo e no mínimo, pasto alto demais ou baixo de mais, não existe um meio termo, e aonde está o problema, pois cria uma produção de talos ao invés de folhas nas gramíneas, depois literalmente rapa o pasto, ele terá capacidade de rebrotar totalmente desfolhado? Acredito que não por muito tempo, tornando essa pastagem degradada, aumenta a quantidade de plantas invasoras que o animal não vai consumir.
Além disso, o pecuarista tem procurado cada vez mais diminuir a pressão de pastejo, deixando de respeitar apenas seus animais, aprendendo a respeitar também suas áreas de pastagens, deixando de ver essas áreas como apenas um “pasto para colocar o gado” e sim como a principal fonte alimentar para o seu rebanho, produzindo ela da melhor forma. Na fala da ministra, teria que aumentar essa pressão de pastejo, mas em um lugar onde se tem forragem disponível para o consumo apenas 100 dias por ano, aumentar essa pressão de pastejo, seria viável? Os próximos anos vão ter pastagem ou só plantas invasoras? E se essa pastagem não voltar, esse produtor vai fazer uma reforma de pasto ou abrir novas áreas de pastagem através do desmatamento? Através destas perguntas, é fácil notar que o erro não é do pecuarista ou do boi e sim da falta de utilização de técnicas e conhecimentos aplicáveis e eficientes para uma pecuária adequada.
O mercado de forma global, tem cada dia mais exigido dos produtores não só o produto mas também a qualidade, origem e certificado, querem saber como foi produzido, qual foi o tratamento que esse animal teve e o pecuarista que não acompanha esse novo cenário, logo mais estará fora do mercado.
Então o problema da região do pantanal, é de quem, considerando que ocorrem incêndios naquela região todos os anos? As brigadas de incêndios só vão para esses lugares quando os incêndios já tomaram grandes proporções, sabendo disso, por que o governo não mantém uma brigada para combater esses incêndios no início? Para fiscalizar aonde e como está ocorrendo o início desses incêndios e multar os culpados? Por essa falta de fiscalização, muitas pessoas aproveitam da desgraça alheia para construir ONGs com objetivos obscuros, pois vê como uma fonte de renda econômica, fazer uma vaquinha online é muito fácil, muita das vezes arrecada milhões, e esses milhões arrecadados terminam onde? Pessoas dando dinheiro para salvar o meio ambiente e onde termina esse dinheiro? onde é usado? Realmente tem ONGs que fazem o seu papel, mas sempre existe pessoas ruins para aproveitar do bom coração alheio, pois não existe só uma ou duas ONGs com esses objetivos, são várias.
O boi não é o vilão e nunca será o herói, os heróis são os produtores de uma pecuária de precisão, que preserva suas áreas de preservação, que olha não só para o gado mas também para todas as áreas de sua propriedade de forma igualitária, gado, pasto, água e mercado e os vilões são as pessoas que não notam que vivem em um organismo vivo, que tudo está em constante mudança, voltando a tona problemas do passado, atrasando o avanço para o futuro!
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